Jorge Carvalho

Janeiro 2026








CARTOGRAFIA GEOLÓGICA

SÓCIO APG Nº O455

Nascido em Lisboa, sempre sentiu uma aptidão para as ciências. Dedica-se à cartografia geológica no LNEG e já mapeou de tudo: de mármores a pirites, do Paleozoico ao Cretácico, ordena o território e prospeta recursos. É mais feliz com um martelo no campo do que em reuniões. Considera-se um geólogo de serviço: sabe um pouco de tudo, não sabe muito de nada.

"No nosso país é sempre o Estado a fazer tudo (...) Estávamos a tentar implementar incubadoras de empresas com os engenheiros de minas, focadas em fazer recuperação do minério de volfrâmio das escombreiras. Não é o Estado, não é cá a EDM ou o Técnico quem o tem de fazer, deveria ser um estudante, que faz um doutoramento, que depois lança uma empresa e vai fazer isso. Tentar lançar projetos para fazer recuperação dos minerais, dos minérios que estão na escombreira, que hoje é o que está aí na ordem do dia."

Foi no meio dos calcários que tanto gosta, ladeados por antigas frentes de exploração, que ouvimos e nos divertimos muito com o Jorge Carvalho. Nascido em Lisboa, cresceu longe de qualquer romance com pedras, minas ou dinossauros, mas acabou por cair na Geologia por pura ingenuidade académica: achava que já sabia tudo o que estava nos livros, "maçarico"! Entrou em Geologia na FCUL, trabalhou enquanto estudava, fez o curso a correr entre aulas, tribunais e autocarros, sobreviveu a carraças, sardões de cauda verde, professores incompreensíveis e a cartografia em folhas em branco e nunca mais largou o campo. Passou pelo ouro de Valongo, pelos sulfuretos da Faixa Piritosa, pelos mármores de Estremoz e, sobretudo, pelos calcários do Maciço Calcário Estremenho, sempre com um olho nas rochas e outro nos recursos, onde separou fácies e confundiu pegadas com depressões que não davam jeito nenhum para pousar a bússola. Entre serviços geológicos, indústria, conflitos entre parques naturais e pedreiras, ideias lançadas anos antes de alguém querer ouvi-las, gestão imposta e cartografia que adora, construiu uma carreira persistente, multifacetada e cheia de histórias. Venham conhecer algumas e saber mais sobre este geólogo que diz que o ouro e as minas deixam um bicho, que desconfia de tudo o que não possa ser cartografado à escala certa e que acredita que a melhor maneira de perceber o mundo é ir lá fora sujar as botas.


Entrevista 

Pedreira abandonada de Lióz, Negrais, setembro de 2025


1. Nome, a data e o local de nascimento.

Chamo-me Jorge Carvalho, nasci a 16 de janeiro de 1962, em Lisboa, em Santa Justa.

2. Conte-nos, de forma simples, o que faz profissionalmente.

Sou geólogo do LNEG, que é o Laboratório Nacional de Energia e Geologia. Trabalho na área dos recursos minerais, na Unidade de Recursos Minerais e Geofísica, mais concretamente com rochas ornamentais. Ou seja, o meu trabalho principal é a prospeção de locais onde há potencial para a exploração de rochas ornamentais, como os calcários, os granitos, os xistos e outras. Mas, sobretudo, calcários.

3. Em que ano e onde ingressou no curso de Geologia?

Ingressei em Geologia na Universidade de Lisboa, em 1981, num curso em que – ainda me lembro – éramos 60. E desses 60 que entraram em 81, fizeram o curso em cinco anos, no tempo certo, sete. Acabámos sete! Fui colega do Nuno [Pimentel], do Pedro Terrinha, que veio da Rússia para continuar cá nesse ano, da Paula Mimo [Carreira Paquete], que trabalha no Técnico, a Micá, havia a Teresa e o Jorge Relvas que depois casaram, o Luís Revelo, que era meu colega nos Serviços Geológicos e já morreu… Depois há os outros que estavam imediatamente um ano acima e abaixo, como o António Mateus, o Alex [Alexandre Araújo], a Rita Fonseca, essa malta toda!

4. E como é que reagiu a família? Porque é que escolheu Geologia?

Por nada de especial, não há uma história, nenhuma. Não há um "Eu vivia aqui e via aquilo", não, não tive ligação nenhuma, nem familiar. Os meus pais eram de uma família muito humilde, lá da região de Pombal, e vieram para Lisboa trabalhar. Sempre fui criado não em Lisboa, mas em Odivelas, nos arredores de Lisboa. Não havia ligação nenhuma à Geologia, o meu irmão mais velho foi para economia. No liceu, foi aquele "Vai-se estudando", sempre fui para as ciências, para as "biologias e geologias", achava piada à coisa. E, entretanto, fui para o ano propedêutico e também andava sempre ali nas "biologias e geologias", além daquelas disciplinas obrigatórias. E lembro-me de estudar pelos livros feitos de propósito para o ano propedêutico, pelo Galopim [de Carvalho]. Depois, para aumentar a nota, fiz o 12º ano também. Eu andei sempre nos tempos das coisas a acabarem, o último ano da licenciatura de cinco anos foi o meu. Mas houve ali um click. Não foi um click estilo "Tenho de escolher qualquer coisa", mas lembro-me de decidir ir para Geologia, "Vou me inscrever em Geologia", porque eu achava que sabia aquilo tudo, eu sabia os livros de cor, praticamente. Inocente, não sabia nada do que era a Geologia, mas sabia aquilo que estava nos livros. O vulcão, o sismo e tudo mais, eu sabia aquilo, para mim era tudo evidente, ou as noções que fazia, no estudo, eram evidentes. Geologia foi primeira opção. A segunda lembro-me que era agronomia e já não me lembro se pus terceira opção. A minha vocação era aquilo, mas havia alguma negação. A família disse "Mas vais estudar pedras? Então, oh filho, para o que é que isso serve?" E eu respondia "Epá, as minas", mas também não fazia ideia! Entrei no curso de Geologia e, sinceramente, disse, e lembro-me dessa sensação, "Eu agora já sei isto tudo, agora deve ser aprofundar mais um bocadinho isto, o que estava nos livros". Era estúpido mesmo! Coitadinho, "É aprofundar mais um bocadinho aquilo que está nos livros, pronto". Portanto, foi um mundo [que se abriu], tchanan! (movimento de abertura com as mãos)

"Vou me inscrever em Geologia", porque eu achava que sabia aquilo tudo, eu sabia os livros de cor, praticamente. Inocente, não sabia nada do que era a Geologia, mas sabia aquilo que estava nos livros. O vulcão, o sismo e tudo mais, eu sabia aquilo, para mim era tudo evidente, ou as noções que fazia, no estudo, eram evidentes. Geologia foi primeira opção.

Nos tempos de estudante, após trabalho de campo em Bucelas, no Rossio [Lisboa], com os colegas Pedro Keil (à esquerda) e Pedro Terrinha; foto tirada por Paula Paquete.

5. Em que momento é que, entrando para Geologia, percebe "Isto é mesmo para mim!"? Ou teve dúvidas ao longo do seu percurso?

Não, nunca tive dúvidas, eu sou muito de saber que as coisas podem demorar, mas se aposto em algo, é para fazer. Persistente. E percebi que gostava disto, que era isto mesmo, que bate cá dentro, quando foram as cadeiras de campo, em Bucelas. E era aquilo, era aquilo! Matar carraças, catá-las, as malvadas de volta de nós... e numa pedreira! Já eram as pedreiras, na altura. Nunca me esqueço de estar – isso podia ser uma história para o intraclasto – com o Pedro Terrinha e a Paula Mimo, que era o nosso grupo, naquela pedreira de Bucelas que há agora de britas, em Lióz. Isto está tudo ligado! Estava eu a mexer e a ver umas pedras, maçarico completo, a olhar para aquilo como um boi para um palácio! E a Paula Mimo estava ali também sentadinha, a matar carraças. O Pedro estava a fazer outra coisa e, de repente, sai debaixo das minhas pernas um daqueles sardões enormes, com uma cauda verde, lindo. Apanhei um susto do caraças! O gajo sai para onde? Disparado a correr em direção à Paula Mimo, na ponta. E então o lagarto vai até meio da laje, pára e dá de caras com a Paula, a fugir de mim. O lagarto zum, a Paula foge, um para cada lado. Um espetáculo, isto são daquelas coisas que ficam. É isto que eu gosto e gostei, foi o campo, andar no campo, e começar a perceber um pouquinho do que era aquilo.

6. E nesses tempos, foi um aluno médio, bom ou muito bom? E envolvia-se em atividades extracurriculares?

Médio! Fui um aluno médio e não, infelizmente nunca me consegui envolver nas atividades da faculdade. Por um lado, tinha aulas na [Avenida] "24 de Julho". Toda a gente sabe o que era a "24 de Julho", escritórios, dava pouco azo a convívios e atividades, mas mesmo assim os meus colegas tinham atividades e dedicavam-se a confraternizar entre eles. Eu não, por uma questão muito simples. Como disse, tinha uma família muito humilde, tínhamos pouco dinheiro e eu trabalhava, fiz o curso como trabalhador-estudante. Perguntariam "Como, se o curso era diurno?" Porque era um trabalho que me permitia ter liberdade total de horário, era o que se chamava – não sei se ainda se chama hoje – paquete. Era paquete de um escritório de advogados e o meu trabalho era levar coisas para os tribunais, papéis. Levar aos tribunais, trazer dos tribunais, tinha uma linha e tinha de ir fazer aquilo. Todos os dias recebia o trabalho a fazer. Ou seja, enquanto todos tentavam juntar as aulas num pacote para depois ter a tarde livre, para conviver ou o que fosse, eu dispersava as aulas para ter um horário compatível com o horário de funcionamento dos tribunais e andava por aí. Portanto, eu tinha aulas de manhã muito cedo, acabava a aula e tchau, pirava-me. Foi um bocado duro, mas costumo dar o meu exemplo hoje, até aos meus filhos, "Ai é tudo muito difícil", "Epá, difícil foi no meu tempo! Fiz um curso em cinco anos, não é que seja muito inteligente, acho que não sou nenhuma sumidade, não!, e fiz um curso em cinco anos a trabalhar! E aqui estou e não morri. E vocês hoje vão daqui para ali, 'Ai que estou muita cansado!' ". No nosso tempo era: apanhar o 38 para ir ter aulas na Politécnica, saíamos da "24 de Julho" – vocês já devem ter ouvido esta história de outros colegas, se calhar –, tínhamos aulas e depois tínhamos aulas de química e de biologia marinha com o [Luiz] Saldanha. Íamos a pé apanhar o 38 para ir ter aulas lá acima, à Politécnica, e depois apanhávamos o 38 para voltar a ter mais aulas cá em baixo. E depois os outros ficavam lá e eu "Arranca", para o tribunal de Cascais, para levar um papel! E pronto, a minha vida de curso foi essa.

"(...) vejo a Geologia sempre do ponto de vista para a sociedade e a cartografia com um intuito mais prático."

7. Qual foi a disciplina de que mais gostou e quem a lecionava?

Sei lá, nunca tive, nunca fui miúdo de grandes amores. (risos) Na altura, de professores, gostei muito do Galopim, também gostei de um professor, que já morreu, de sedimentologia, que era o Fernando Correia. E tive também, no primeiro ano, como professor de Geologia geral – esteve lá pouco tempo – o [Rui] Miguéis, era uma pessoa muito humana, mas depois desapareceu, não esteve lá muito tempo. Ele vinha da indústria do petróleo e foi para a faculdade dar aulas, era uma pessoa muito humana. E, depois, em termos mais científicos, recordo as aulas do [Fernando] Barriga, dos jazigos minerais, porque era uma maneira de ensinar completamente diferente, e vocês apanharam-no mais posteriormente. Para mim, e nos inícios deles, as aulas do Barriga e do [José] Munhá, não sendo as melhores, foram as que me marcaram mais. E as aulas do [Ricardo] Quadrado, porque não se percebia nada! Ele não estava uns quantos passos à frente, estava umas pegadas! Lembro-me de fazer um exame oral com ele, ele fez-me uma pergunta – já não me lembro que pergunta era – e eu fiquei calado. E ele, "Então não é…", deu-me as respostas todas! "Era, não era?", e eu, "É, é!". No final disse, "Fica com 12, pode ser?", e eu respondi "Pode, pode!".

8. Qual foi o seu primeiro trabalho?

A minha atividade profissional começou em novembro de 1988, numa empresa que ainda existe, que é a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), uma empresa privada, mas que é do Estado, o único sócio maioritário é o Estado. E comecei a trabalhar em prospeção de ouro, no Anticlinal de Valongo. Estive lá dois anos, em 1988 e 1989, e aí fiz, ou comecei a fazer, cartografia de minas antigas, nomeadamente a Mina das Banjas, a Mina da Moirama, que é mesmo ao lado das pedreiras de xisto em Valongo. Fiz a cartografia de toda essa zona do Anticlinal de Valongo, desde Valongo até ao Rio Douro, até à zona de Melres. Cartografia geológico-mineira, com vista, claro, ao ouro. Foi num consórcio entre a EDM e o BRGM, os serviços geológicos franceses. E aí é que começou a minha atividade profissional, com a prospeção de ouro, e que me deu muito gozo. Ainda estava a aprender, claro, maçarico, mas deu muito gozo. Fala-se muito daqueles Fojos de Santa Justa, eu também fiz a cartografia deles, tenho os mapas com aquilo tudo. Marquei 100 estruturas romanas! Cem!

Na Mina das Banjas, em Valongo.

9. Há ou não há ouro em Valongo? Os romanos levaram mesmo tudo?

Não, não, há sempre alguma coisa. O que está à superfície, o visível, levaram, porque aquilo eram fendas de tração, fraturas transversais ao anticlinal com ouro, remobilizado do quartzito – o quartzito é um paleoplacer! Em Santa Justa, em Valongo! Vamos para Banjas, é diferente, já é um outro tipo de jazigo, é o chamado saddle reef, abertura, deforma, dobra, nas zonas de charneira há empolamentos, há o ouro, há a fugacidade do carbono para o ouro, umas coisas assim, que já não me lembro, já foi há tantos anos, "há mais de cinco anos!" (risos)

"A vida de um geólogo de Serviço Geológico tem é de ser muito multifacetada, acabas por não conseguir especializar-te em nada. Sabes de tudo e não sabes de nada!"

10. E tem trabalhado sobretudo em rochas ornamentais, ou noutras fases da vida esteve mais dedicado a outro tipo de recursos?

Não, foi uma série de coisas. As rochas ornamentais com as que tenho trabalhado são os calcários. Comecei em 1991 a trabalhar no Serviço de Fomento Mineiro, uma entidade que já está extinta, e fui contratado, na altura a recibos verdes, para estudar os calcários ornamentais do Maciço Calcário Estremenho, de um dos vários núcleos de exploração que lá existem. Estes eram o núcleo de Moleanos, o núcleo de Pé da Pedreira, o núcleo da Cabeça Veada e o núcleo de Codaçal. São dos núcleos principais. Aliás, o principal até é o núcleo de Pé da Pedreira, que é uma área enorme onde existem bastantes pedreiras. E, na altura, foi um contrato que havia entre o Estado, através do Serviço de Fomento Mineiro com o Instituto de Parques Nacionais, acho que era assim que se chamava, que é o atual Instituto da Conservação da Natureza [e das Florestas]. Havia um projeto para estudar esses calcários tendo em vista delimitar as explorações existentes e eu fui contratado para esse efeito. Foi assim que comecei a trabalhar nos calcários ornamentais do Maciço Calcário Estremenho, do Jurássico Médio, na região centro de Portugal. Não quero dizer asneiras, mas metade desses calcários são do Jurássico Médio, especificamente do Batoniano, e há uns que são do Caloviano, que são os calcários de Moleanos.

11. E entre o ouro e esses calcários, houve algo?

Sim, saí de Valongo e fui ainda para a EDM, fui para Aljustrel, para a Faixa Piritosa Ibérica. Subi um bocadinho, saí do Ordovícico e fui para o Devónico, fazer prospeção de sulfuretos maciços, também num consórcio entre a EDM e uma empresa, a Angloamerican, e aí aprendi muito, também. Fiz a cartografia de uma região que se chama Panoias, entre a Messejana e até ao Rio Sado. 

"(...) esse lado de aplicação prática do conhecimento geológico é que paga a aquisição de todo o conhecimento geológico. O que paga a Geologia é a indústria!"

12. E depois da Faixa Piritosa Ibérica?

Depois da Faixa Piritosa resolvi que queria ir para o Serviço de Fomento Mineiro (depois IGM, depois INETI, depois LNEG). A vida de um geólogo de Serviço Geológico tem é de ser muito multifacetada, acabas por não conseguir especializar-te em nada. Sabes de tudo e não sabes de nada! É frustrante, dá ansiedade, porque quando começas a perceber daquilo e a tentar enquadrares-te mais e ir mais fundo, já tens de seguir para outra, tens de ir para outra. É desafiante, sim, mas é muito frustrante ao mesmo tempo. Entrei então em 1991 para o Fomento Mineiro, para fazer a cartografia de um desses núcleos. E, não é para me gabar, mas acho que trouxe um pouco de inovação para a maneira de trabalhar do antigo Fomento Mineiro, ou dos antigos Serviços Geológicos. Primeiro, cartografia de detalhe, e com uma visão que vinha do pouco que tinha aprendido nos três anos anteriores da cartografia geológico-mineira. Fazer cartografia numa área como esta [pedreira de Negrais onde decorreu a entrevista] não pode ser uma cartografia 1:25 000. Nos Serviços Geológicos, toda a gente pensa à pequena escala, o 25 000 é o máximo de detalhe. Depois englobam-se as cartas de detalhe para fazer as sínteses e perceber-se a carta como um todo. Porque é que estamos aqui? O que é que cá estamos a fazer? De onde vim, para onde é que vou? É um pouco isso. Eu vejo-a sempre assim, vejo a Geologia sempre do ponto de vista para a sociedade e a cartografia com um intuito mais prático. A Geologia, digamos, fundamental, é importante, mas vejo sempre o lado de aplicação mais prática da Geologia. Nunca podemos esquecer esse lado, porque esse lado de aplicação prática do conhecimento geológico é que paga a aquisição de todo o conhecimento geológico. O que paga a Geologia é a indústria! Mas sempre que começo um trabalho numa área, a primeira que coisa que penso é: onde está a cartografia à escala 50 000? Onde é que está a base? E se não há, azar. Sabem o que é fazer cartografia geológica numa folha em branco? Mas sem topografia? Valongo, o Anticlinal de Valongo, foi feito sem topografia! E quando menciono cartografia de detalhe falo de uma escala 1:2000 ou 1:5000. E, portanto, sabem o que é fazer cartografia à escala 1:2000, numa folha em branco? Era o que a gente tinha, folhas em branco. Marcava tudo, traçado de caminhos, tudo!

13. E já comparou essa cartografia com uma mais recente, feita com novas ferramentas de trabalho?

Está perfeita. Não fiz com Valongo, mas fiz com o Pé da Pedreira, nos calcários. Voltando atrás na entrevista, à cartografia dos tais núcleos de calcário, foi um trabalho entre o Serviço de Fomento Mineiro e o Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros. A ideia dos biólogos do Parque era a realização de um trabalho geológico que demonstrasse que os recursos em calcários ornamentais estavam restritos às pedreiras em laboração na altura. Saiu furado para o lado do Parque, porque demonstrei a existência de muito mais recursos numa área muito mais extensa. Dei-me muito bem com todo o pessoal da indústria, dei-me bem com todo o pessoal dos parques, da conservação da natureza, porque eu andava nos dois "fogos". Era uma altura muito má, era a GNR a ir às pedreiras, a passar autos e a fechar pedreiras, porque estavam ilegais. Foi uma guerra na altura, e eu estava lá metido no meio, a fazer cartografia. Mas foi muito giro, já foi há 30 anos e estive lá bastante tempo.

"Era uma altura muito má, era a GNR a ir às pedreiras, a passar autos e a fechar pedreiras, porque estavam ilegais. Foi uma guerra na altura, e eu estava lá metido no meio, a fazer cartografia"

14. E para além do ouro, sulfuretos maciços e pedreiras, fez cartografia de outros recursos?

Dei um pulinho aos mármores. Não é que estivesse farto, mas fui chamado para outro lado e fui, então, fazer cartografia para Sousel, nos mármores de Estremoz. Aí também pus um pouco de inovação, porque o que os colegas da velha guarda estavam a fazer era a delimitar, no papel, um polígono, e o trabalho do projeto era cartografar a área desse polígono. Entretanto, fui eu fazer a cartografia daquele polígono, o qual tinha sido mal marcado, entre aspas. Quando comecei a fazer a cartografia, dizia, "Mas os mármores continuam para ali!", e eles respondiam-me "Não, mas é só o polígono". Isso é estupido! Então, se o objeto são os mármores, enquanto houver mármores, vou atrás deles! E, claro, às tantas fiz a terminação nordeste do Anticlinal de Estremoz. Fi-la toda! Com novos critérios geológicos, digamos, e então aí pegámos nesses critérios e com base nos levantamentos que já existiam, antigos, de outros colegas, atualizámos toda a cartografia à escala 1:5000. Fizemos o Anticlinal de Estremoz todo à escala 1:5000, com base nesses critérios. E saiu uma carta publicada, depois publica-se a escalas mais reduzidas, que é a carta do Anticlinal de Estremoz de 1987. Está lá colaboração de Jorge Carvalho, porque na altura o chefe é que tinha de pôr o nome. Mas essa também me deu gozo. Depois fui matar saudades ao Paleozoico e por fim lá voltei para os calcários do Maciço Calcário Estremenho. Mais recentemente, houve um novo projeto, financiado externamente, muito giro, que envolveu os Serviços Geológicos, neste caso o LNEG, a Associação dos Industriais e o Instituto da Conservação da Natureza. Ou seja, aqueles que geralmente se dizem em campos opostos. Portanto, os opositores juntaram-se para fazer algo em concreto, de novo. Então, retomámos, em modos ainda mais modernos, a cartografia que já tinha feito anteriormente. Agora já não fiz a cartografia, foram os estagiários que fizeram, com base em topografia feita de propósito para isso, com voos para isso, topografia feita em moldes modernos. E os erros relativamente à cartografia antiga são erros de metro. São mínimos! Era um projeto muito giro e inovador, recebeu prémios internacionais e tem-se tentado replicar noutros países europeus. Porque não é só Geologia, é a cartografia geológica como base para o ordenamento do território daqueles núcleos. Com estudos biológicos, estudos de património, o carso, etc. Como é que vamos pesar os diferentes valores que estão em causa: qual é o mais importante? É o valor geológico? É o industrial ou é o patrimonial? Por exemplo, o carso, uma gruta que lá está, vale mais? E arranjaram-se formas para pesar isso tudo, trabalhámos nisso.

"Mas os mármores continuam para ali!", e eles respondiam-me "Não, mas é só o polígono". Isso é estupido! Então, se o objeto são os mármores, enquanto houver mármores, vou atrás deles!

15. Na sua vida profissional, qual é a atividade que lhe dá mais prazer fazer?

Além de almoçar, (risos) é a cartografia de recursos. É darem-me uma área para fazer cartografia geológico-mineira – não é cartografia clássica, é cartografia geológico-mineira – e desvendar o que aquilo é. Fazer cartografia daquilo, fazer o modelo geológico, que é aquilo que o geólogo faz, mentalmente, por intuição, a três dimensões, a quatro, até, na nossa cabeça. E hoje em dia, com as tecnologias, vamos tentando desenhar em blocos-diagrama, ou informaticamente, já fazem tudo, mas é fazeres o teu modelo conceptual, meter sondagens a comprovar o que tens. Como meti aqui, na pedreira em que estamos, e obteres os resultados e confirmares ou ajustares. Adoro.

16. E do que é que menos gosta?

Há bocado, vinha para cá, e lembrei-me de uma coisa que ando a fazer que detesto: gerir projetos nos quais não estou nada interessado e com os quais não tenho nada a ver, mas por obrigação profissional tenho de o fazer. A parte de gestão, é horrível. Nós, no LNEG, o problema é que somos tão poucos que fazemos a festa, mandamos os foguetes, vamos apanhar as canas, temos de ser tudo. Agora gerir um projeto com o qual não tens afinidade nenhuma, mas que te calha e tens de gerir aquilo… Mas pronto, tem de ser. 

" (...) no LNEG, o problema é que somos tão poucos que fazemos a festa, mandamos os foguetes, vamos apanhar as canas, temos de ser tudo. Agora gerir um projeto com o qual não tens afinidade nenhuma, mas que te calha e tens de gerir aquilo… Mas pronto, tem de ser."

17. Há algum geólogo, que tenha conhecido ou não, pelo qual tenha uma especial admiração?

Admiro muito dois ou três colegas, um que foi meu colega, e outro que não foi do mesmo ano, mas foi praticamente contemporâneo: o Pedro Terrinha e o António Mateus. Isto até parece mal, eles estão por aí e depois veem as entrevistas…

18. Nah, eles não leem. O Mateus está muito concentrado no trabalho dele e o Pedro Terrinha está lá a ver o fundo do mar. (risos)

Ah, pronto. Admiro-os porque acho que têm uma inteligência acima da média, veem as coisas. Aquilo que eu vejo, e para chegar lá e ver, entender, tem de ser com muito trabalho, os gajos já estão a olhar e já estão a ver, a perceber. Bom, da experiência que tenho tido de trabalho com eles, e admiro-os nisso. Depois, andando um pouco para trás, há também o inconfundível António Ribeiro. Tive aulas com ele e, quer dizer, eu estou aqui e ele está lá, na estratosfera. O [Giuseppe] Manuppella também foi um geólogo que admirei. Aprendi muito com ele. Os charutos que ele fumava, empestavam o LNEG! Naquela altura podia fumar-se, e cheirava tão mal, aquilo! E o que eu e ele discutíamos aos berros, a gritar nos corredores, porque ele era italiano, e falava assim, alto, "Jorge Carvalho, tu não percebes nada disto, pá! Tu não sabes nada disto! O que é que vocês aprenderam na faculdade? Nada, tu não percebes nada disto!". (expressivamente, esbracejando, com sotaque) Depois dávamos por nós e estavam pessoas à porta do meu gabinete a ver e a perguntar "O que se passa?", se havia porrada! Ficávamos muito admirados a ver as pessoas a olhar para nós, pois era tudo na boa! Também já morreu, foi pena.

" (...) há também o inconfundível António Ribeiro. Tive aulas com ele e, quer dizer, eu estou aqui e ele está lá, na estratosfera."

19. Qual é a sua publicação favorita na área das geociências? Uma carta, um livro, um artigo, algo a que volte muito, ou que goste de ter a peça.

As cartas geológicas, a 27-A e 27-C [1:50 000] de Ourém e Torres Novas, do Maciço Calcário Estremenho, porque também participei nelas, porque foi ali que comecei um pouco do que faço hoje e está lá a separação das fácies batonianas, os tais calcários ornamentais que andei a separar, na altura com o Manuppella. O Giuseppe Manuppella andava a atualizar a cartografia dessas áreas e eu andava nas pedreiras e depois juntámo-nos. Eu soube que ele andava a fazer a atualização da cartografia do Zby [Zbyszewski] e apareci-lhe com a cartografia de sítios por onde ele já tinha passado, cartografia de detalhe a mostrar a separação das fácies. Fui pedir-lhe apoio, porque eu era um puto, maçarico! E ele era uma pessoa muito especial, muito própria, voltou atrás, começou a refazer novamente tudo, tendo por base o meu contributo.

20. Qual foi o evento ou momento mais marcante na sua carreira, até agora?

Isso é fácil, é ter sido convidado para administrador de uma empresa, neste caso a EDM. E isso marca. Foi de 2014 até 2016. Correu muito bem. Ou melhor, acho que correu bem. (risos) Quanto mais tempo passa, mais acho que correu bem, e mais pena tenho de não ter lá continuado mais tempo, mas são cargos de nomeações políticas. E tenho pena de não ter tido mais tempo, para conseguir fazer aquilo que estava a tentar implementar. Não deu. Não se esqueçam que estamos em 2014, não havia cá matérias-primas críticas, não se falava nada disso. E eu estava a tentar implementar projetos de prospeção de lítio. Não é que o Jorge Carvalho veja mais à frente, não, não vê! Mas estava a tentar implementar coisas, estava a tentar implementar projetos com a Universidade de Coimbra, com a Teresa Morais, das biologias, das bactérias, das bactérias a comerem minérios dentro das escombreiras. E a radioatividade... como é que se trata das escombreiras da Urgeiriça? Aquilo é recuperação da EDM, eu fui para lá e comecei a fazer barulho, "Então, mas isto não está recuperado?". A maneira de acabar com a poluição, é como? Retirar o material poluído! Então como é que se resolve isto? Retiramos o material poluente. Se é radioativo, arranjamos maneira de aproveitá-lo e, economicamente, isso vai pagar o processo. Então e as escombreiras de Montesinho, e as escombreiras de volfrâmio que estavam por aí em Piódão, e não sei quê mais? Escombreiras por todo o lado! As escombreiras do século passado, está tudo cheio de minério ainda, vamos atacar as escombreiras, retirando o poluente e recuperando-as ambientalmente. "Epá, lá vem este gajo com estas ideias", mas, aos poucos, estava a ir. E a parceria com o [Instituto Superior] Técnico incluía também lançar incubadoras de empresas. No nosso país é sempre o Estado a fazer tudo, a EDM estava ali e podia servir de apoio. O Técnico é muito mais ativo do que a Faculdade de Ciências [da Universidade de Lisboa]. Estávamos a tentar implementar incubadoras de empresas com os engenheiros de minas, focadas em fazer recuperação do minério de volfrâmio das escombreiras. Não é o Estado, não é cá a EDM ou o Técnico quem o tem de fazer, deveria ser um estudante, que faz um doutoramento, que depois lança uma empresa e vai fazer isso. Tentar lançar projetos para fazer recuperação dos minerais, dos minérios que estão na escombreira, que hoje é o que está aí na ordem do dia. Estava a lançar coisas com técnicas inovadoras, como isso das bactérias, chegámos a fazer testes nas escombreiras de Aljustrel, utilizando bactérias que vivem em ambientes ácidos. A Teresa dizia "Esta é boa, que esta separa o ferro do enxofre", uma maluquice tremenda. Não era eu a fazer, eu estava no papel de administrador. Era o Cazé [Carlos Rosa], que vocês também já entrevistaram, e que, nessa altura, estava na EDM comigo. O Cazé estava à frente disso, e eu estava um pouco a administrar a coisa e deu-me um gozo terrível começar esse caminho, mas depois, pronto, acabou. A frustração é essa. Também me deu muita pica participar não nas descobertas, mas na avaliação das pegadas de dinossauros.

"(...) chegámos a fazer testes nas escombreiras de Aljustrel, utilizando bactérias que vivem em ambientes ácidos. A Teresa dizia 'Esta é boa, que esta separa o ferro do enxofre', uma maluquice tremenda."
"Nós aqui na Europa vivemos num mundo que é real, mas é uma bolha. E estamos a tentar preservar essa bolha ao máximo, que nos separa do resto do mundo."

21. Já agora, porque foi na mesma altura que andava lá, esteve envolvido na descoberta das pegadas?

Não estive envolvido na descoberta das pegadas na pedreira do Galinha, mas essa também é frustrante. Dois dias antes da descoberta ser anunciada, tinha lá estado eu com o Manuppella, lá em cima! Estávamos lá na pedreira por causa da tal cartografia das folhas 27-A e 27-C, de bússola na mão, com a bússola no chão para medir a estratificação e dizíamos, "Epá, aqui não dá jeito porque estes buracos e rebordos …", "Epá, estas depressões aqui…". Dois dias depois, aparece-me o Manuppella, "Então, mas a gente esteve lá! Mas a gente não viu nada!". Fogo! Dois dias antes! Mas depois participei sempre na parte da valorização do património, nas pedreiras de Vale de Meios e também na Pé da Pedreira, ao lado. E agora mais recentemente, naquilo que é a chamada "Praia Jurássica" [Porto de Mós].

22. E um falhanço ou um momento mais embaraçoso?

Acaba por ser isso da EDM, também, porque depois não consegues fazer muito mais porque acabou o tempo. Mas recordo também um outro momento embaraçoso, e ainda tenho de pedir desculpa à pessoa. Às vezes encontro-o, mas fujo dele. Já foi há muitos anos, um parecer qualquer sobre um estudo qualquer, que tive de avaliar. E nunca mais me esqueço do estudo, a falar qualquer coisa dos equinoides, e eu descasquei tanto naquilo: "Como é que este gajo já queria que houvesse equinoides no Jurássico?" Porque ele estava a escrever equinoides [Echinoidea, ouriços-do-mar] e eu estava a ler equídeos [Equidae, mamíferos ungulados]. Eu descasquei tanto naquilo, epá, é embaraçoso, é a primeira vez que conto isto. (risos) Mas está cá atravessada, ainda. (risos)

23. Via-se a fazer outra coisa na área das geociências, ou fora?

Nada. E com esta idade? Já não. E também não tenho nenhum hobby específico, além de gostar de estar lá em casa a mexer em madeirinhas e fazer caixinhas com madeira, com vários compartimentos. Bom, é para fazer um pouco de alguma coisa, posso fazer o meu caixão e pronto. (risos) E como é que eu faço as caixas de madeira? Vou comprar madeiras? Não, isso era estúpido. Uso daquelas caixas de frutas de morangos, desmancho aquilo tudo e depois refaço. Mas não passa disso, não se pode dizer que é um hobby

Trabalho de campo em Manatuto, Timor-Leste, 2002-2003 (Fotografia tirada por Vítor Lisboa, colega de muitas andanças)

24. Qual é o local mais bonito que já viu por causa da Geologia?

Há muitos! Marcou-me, nem é que seja muito bonito, mas marcou-me por ter estado lá, pelo que fui lá fazer, o monte Ramelau em Timor, e Maubisse, em Timor. As Galápagos, também. A Timor fui fazer cartografia, avaliação de recursos, também num projeto. Foi sempre em trabalho. Fomos no ano da Independência, em 2002, estava tudo quentinho, ainda, e depois voltei lá em 2003. Outro são as Galápagos, cuja ida foi noutro projeto de Geologia e ordenamento do território. Às Galápagos só fui duas vezes. (risos) Também conheci muito da América Latina, sempre em trabalho, países destes projetos de cooperação de um programa – que ainda existe – que é o programa CYTED, de cooperação de países Ibero-Americanos. Reuniam-se grupos de trabalho e aprendíamos muito. O pouco que sabemos é muito para eles, porque realmente estamos mais avançados cientificamente. Mas nós também aprendemos muito deles e vemos muito. Vemos que o mundo, realmente, é outra coisa. Outro local que me marcou foi numa visita recente, no final de 2023, em dezembro, à Índia. Fui no âmbito das rochas ornamentais, para as pedras patrimoniais. Fomos visitar monumentos, como o Taj Mahal, e visitar as pedreiras de onde veio o mármore do Taj Mahal. Para além de Agra, também visitei Jaipur, a cidade rosa, um espetáculo. Fomos recebidos no meio daquela confusão, com um barulho ensurdecedor dos carros na estrada, por um dos patrocinadores do seminário/congresso, que nos guiou na cidade de Jaipur. Por entre portões fechados, entrámos numa zona toda murada e estávamos no paraíso! E aí é que vês o contraste com a pobreza. Essa viagem marcou-me, marcou-me societalmente, muito, porque deu para comprovar um pouco aquilo que eu já sentia, que nós vivemos numa bolha. Nós aqui na Europa vivemos num mundo que é real, mas é uma bolha. E estamos a tentar preservar essa bolha ao máximo, que nos separa do resto do mundo. Agora com esta coisa da guerra da Ucrânia e dos minerais críticos, e até com o Trump que pôs isto tudo em alvoroço, estamos a ver a bolha a desfazer-se. Finalmente, os nossos políticos estão a ver a bolha a desfazer-se e não vão conseguir pará-lo, a bolha está a romper-se por todos os lados.

25. Se pudesse assistir a um evento geológico concreto, qual escolhia?

Escolhia ir para o Batoniano, o início do Batoniano, em Vale de Meios, e perceber porque é que havia tanto raio de dinossauro a passar no mesmo sítio ao mesmo tempo: o que é que eles andavam a fazer? Tanta pegada, tanta coisa! Eles estavam ali porquê? Aquilo devia ser o kindergarten dos gajos! 


Intraclasto

30 anos de cartografia geológica

O intraclasto de Jorge é quase autobiográfico: uma das suas cartas geológicas feita à mão, a primeira que realizou para os Serviços Geológicos, da área de Pé da Pedreira; e uma das mais recentes, da região de Pêro Pinheiro, com tablet, SIG e toda a parafernália digital. Entre a nostalgia do lápis e a eficiência do digital, a cartografia pode até evoluir, mas o drama humano continua o mesmo: sem pés no campo, não há carta!


Geomanias

Rocha preferida? Calcário

Mineral preferido? Não tenho, mas quartzo que é bonitinho!

Fóssil preferido? Ah, a trilobite! É para ficar em casa.

Era, Período, Época ou Idade preferido? Jurássico Médio 

Afloramento ou corte favorito? São as pedreiras do Maciço Calcário Estremenho, não há um, são as pedreiras em si, tudo aquilo que se vê na pedreira é um livro.

Unidade litostratigráfica preferida? Formação de Santo António-Candeeiros

Recursos minerais metálicos ou não metálicos? Isso é evidente, é não metálicos!


Trabalho de campo ou de gabinete? Campo, é óbvio, é evidente!

Martelo ou microscópio? Martelo, claramente.

Pedra mole ou pedra dura? Dura!

Diáclase ou diaclase? Diaclase, mas o raio do dicionário, sempre a pôr diáclase!


Teaser da Entrevista