
João Meira
Março 2026
RECURSOS GEOLÓGICOS
SÓCIO APG Nº O1333
Natural da Cova da Piedade, desde miúdo fascinava-o o mundo natural. De estagiário a geólogo-consultor na VISA, acumula já a experiência de muitos projetos de acompanhamento técnico de pedreiras e minas, cá dentro e lá fora, porque o recurso natural está onde a natureza decidiu. Nas horas vagas troca o martelo pela guitarra na Orquestra Nova de Guitarras do Pinhal Novo.
'O recurso mineral ocorre onde a natureza o colocou, esta é uma inevitabilidade que a Geologia nos transmitiu e que não dá para ser de outra maneira. A areia, a argila, o calcário e todos os recursos minerais que conhecemos estão lá porque a evolução geológica assim o proporcionou. E, portanto, não é fácil a gente pegar nisto e colocar noutro sítio e desenvolver a atividade nesse outro sítio: é desenvolvida aqui e ponto final, não há volta a dar.'
Foi entre areias, lagoas recuperadas e a tranquilidade improvável de um parque de lazer encostado a uma exploração em atividade que ouvimos João Meira, o Senhor dos Areeiros. Geólogo por segunda opção (a esquecermos que escolheu biologia em três, dois, um...), entrou em Geologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em 1992 e cedo percebeu que preferia um planeta em movimento a uma sala de aula estática. Hoje, é na VISA Consultores que acompanha, licencia e contribui para que a paisagem, depois de escavada, saiba recompor-se. Nesta entrevista, leva-nos à Herdade da Mesquita e ao Sesimbra Natura Park, um exemplo raro em que a exploração de areia e a recuperação paisagística coexistem sem se engolirem mutuamente, e onde se prova que a indústria extrativa não tem de ser sinónimo de desastre, desde que as boas práticas deixem de ser poesia de licença e passem a ser rotina. E é esse o trabalho do João, garantir que o são. Pelo caminho há desertos, GPS providenciais, catanas e legislação suficiente para exigir vocação dupla: geólogo no campo, jurista no gabinete. Venham conhecer este amante da natureza, para quem nunca há areia a mais na camioneta e que tem unhas para tocar guitarra, até porque nem só de pedras vive um geólogo.
Entrevista
Herdade da Mesquita/Sesimbra Natura Park, Sesimbra, julho de 2025
1. Nome, data e local de nascimento.
O meu nome é João Manuel Loureiro Meira, nascido a 27 de março de 1973. O local de nascimento foi a Cova da Piedade, Almada.
2. Conte-nos, de forma simples, para leigos, o que faz profissionalmente.
Eu trabalho numa empresa que é a VISA Consultores, especializada no setor da indústria extrativa. Portanto, trabalho com pedreiras e com minas. É uma empresa especializada em consultoria e projeto e é um bocadinho isso que faço: um bocadinho de Geologia, de vez em quando, nem sempre, e dou assessoria técnica a várias explorações, inclusivamente àquelas onde estamos [Herdade da Mesquita, Sesimbra]. Estão aqui várias explorações de areia e já existiram no passado também explorações de argila. Faço esse acompanhamento técnico no terreno, diretamente. Depois, há a componente de projeto e licenciamento, essa é mais de gabinete, onde temos de escrever algumas coisinhas: fazer uns planos de lavra, uns planos de pedreira, para se obter as licenças de exploração que são necessárias para que a atividade possa ser desenvolvida. E, basicamente, é isso, assim muito resumidamente: consultoria e projeto.
3. Fale-nos um pouco da exploração onde estamos [Herdade da Mesquita, Sesimbra].
Descrever este projeto em minutos, não é fácil. Vai ter de ser uma descrição sucinta, até porque é uma atividade que teve uma evolução ao longo do tempo para chegar a este resultado. E é recomendável que, pelo menos, o grosso de pessoas que estão nesta área [Geologia] tenham conhecimento deste local, porque é um bom exemplo em termos de exploração e de recuperação paisagística. Daí eu o ter escolhido. Este local é conhecido como Herdade da Mesquita e tem, dentro da área da herdade, uma atividade paralela à exploração das areias: um parque de recreio e lazer que é o Sesimbra Natura Park. Este parque é fruto da atividade de exploração, isto é, grande parte do parque está localizada naquilo que foi a antiga exploração de areia. Os lagos que aqui existem e muita da floresta e bosquetes que aqui observamos foram, de facto, fruto da exploração da areia e da reabilitação que foi feita, da recuperação paisagística a que estes areeiros foram sujeitos. A reabilitação do espaço foi um bocadinho conduzida nesse sentido, para que hoje tenhamos aqui em atividade estas duas coisas: a exploração da areia e um espaço de recreio e lazer para quem gosta da natureza. É uma herdade relativamente grande, onde podem usufruir das duas coisas. É certo que o usufruir da atividade extrativa s.s. não está acessível a toda a gente, mas é possível ver e acompanhar o seu desenvolvimento. As pessoas são informadas, não há risco, podem vir, ninguém vai ser atropelado, nem ninguém vos vai obrigar a trabalhar. (risos) Podem vir sem problema. Para mim, é um exemplo gratificante porque acompanhei esta evolução durante vários anos e está aqui também um bocadinho do meu contributo, também faço parte desta equipa. Mas nem sempre foi assim. Originalmente, quando comecei a trabalhar nesta zona, a preocupação em termos ambientais era bem menor do que a que existe hoje. Em 1999, a atividade aqui desenvolvida estava mais virada para a exploração propriamente dita: o aproveitamento do recurso mineral, neste caso, a areia. Ainda existiam aqui pedreiras de argila, as duas coisas funcionavam em simultâneo. Hoje, já não há exploração de argila, mas a de areia continua em atividade. E tem-se notado uma evolução da aceitação das preocupações ambientais. Aqui temos um exemplo prático onde conseguimos ver o resultado das duas coisas, uma exploração e uma reabilitação. Não basta contemplar estas questões no papel e não basta contemplar na legislação, porque depois, na prática, de facto, os exemplos que temos para dar não são assim tantos. Mas este é um exemplo a seguir. No que diz respeito à parte extrativa, em traços gerais, hoje é uma exploração de areia desenvolvida a céu aberto, com várias pedreiras que aqui estão licenciadas, embora possa ser encarado como uma unidade extrativa única. De facto, é assim que ela hoje é abordada, até porque é apenas uma empresa que desenvolve a atividade, embora os licenciamentos sejam mais. Uma formalidade administrativa, mas a operação é única. Portanto, a exploração existe, há aproveitamento do recurso mineral e a venda desta areia vai suprir uma necessidade: o fabrico de betão. O betão é um material de construção muito utilizado, quer no nosso país, quer a nível mundial, e a areia é um dos seus componentes. E esta é, maioritariamente, utilizada no fabrico de betão, porque ocorre naturalmente quase com as características próprias/ideais para esse fim. O tratamento que aqui é feito é quase inexistente. De facto, a natureza neste aspeto é extraordinária, às vezes temos as coisas quase certinhas para as nossas necessidades. Nem sempre é assim, às vezes o aproveitamento e o tratamento são bastante exigentes, neste caso não. Também a sua extração é muito simples, ou seja, é uma tecnologia que não exige um conhecimento por aí além, nem equipamentos muito elaborados. Quer em termos de aproveitamento do recurso, quer da reabilitação ambiental, esta é uma atividade industrial relativamente simples, que no fundo merece ser visitada – e recomendo vivamente para quem gosta de natureza, que venha a este local, à Mata de Sesimbra, que é uma mata ainda relativamente grande, na margem Sul [do Tejo].

"E esta [areia] é, maioritariamente, utilizada no fabrico de betão, porque ocorre naturalmente quase com as características próprias/ideais para esse fim. (...) De facto, a natureza neste aspeto é extraordinária, às vezes temos as coisas quase certinhas para as nossas necessidades."
4. E a areia é, cada vez mais, um recurso valioso…
Sim, é verdade. Ela existe aqui, muita! (risos) E muita também já saiu daqui, mas ainda há muita areia por explorar. Vamos agora falar de um assunto que é, se calhar, um bocadinho delicado – não tenho problemas nenhuns em falar – que é o acesso ao recurso mineral e a competição pelo uso do solo. O recurso mineral ocorre onde a natureza o colocou, esta é uma inevitabilidade que a Geologia nos transmitiu e que não dá para ser de outra maneira. A areia, a argila, o calcário e todos os recursos minerais que conhecemos estão lá porque a evolução geológica assim o proporcionou. E, portanto, não é fácil a gente pegar nisto e colocar noutro sítio e desenvolver a atividade nesse outro sítio: é desenvolvida aqui e ponto final, não há volta a dar. Outras atividades já não são bem assim, podem deslocalizá-las em função de determinadas circunstâncias, como acessibilidades, infraestruturas, seja lá o que for. Há essa facilidade em determinados projetos, mas não na indústria extrativa. Devemos, portanto, tentar compatibilizá-la com as diversas atividades que existem. Temos aqui duas atividades que, à partida, pensaríamos de forma antagónica. Como é que a indústria extrativa pode estar num parque de recreio e lazer, com glamping e uma série de outras coisas, com visitas de escolas e utilização do espaço todos os dias?!? E embora o objetivo não seja os visitantes virem ver as pedreiras, eles têm esse contacto, veem-nas ao longe e sabem que elas estão cá, que a indústria extrativa coexiste aqui dessa forma. E é dessa forma que temos de pensar na indústria extrativa, como uma ocupação temporária do solo. Hoje de manhã já vimos áreas recuperadas, onde a indústria esteve no passado, e nalgumas delas, vocês chegaram mesmo a duvidar: será, será mesmo? É verdade, de facto existiu! E posso afirmá-lo porque sei, acompanhei, conheço muito bem este espaço, são muitos anos a vir para aqui, a acompanhar a evolução destas explorações. Obviamente não temos todos de fazer a recuperação paisagística para parques de recreio e lazer, não tem de ser dessa forma, claro. Não temos de ter todos um estádio do Braga, que também é outro bom exemplo. Mas a recuperação paisagística pode fazer-se de várias maneiras, desde que se reabilite o espaço. E não devemos pensar que fazemos a exploração do recurso mineral e só no final é que nos vamos preocupar com a recuperação paisagística – não deve ser dessa forma. Embora, claro, haja espaços em que assim é, em que não é possível, de todo, porque a exiguidade das áreas de exploração não permite desenvolver outras atividades paralelamente. Cada caso é um caso. Aqui é possível fazê-lo porque a área é enorme, estamos a falar de largas dezenas de hectares. Esta é a mensagem que deve ser passada para a opinião pública, para quem não está muito familiarizado com a indústria extrativa, para não se pensar que na indústria extrativa tudo é mau. Há, de facto, muita coisa que é má, os impactos ambientais são sempre muito significativos na fase de exploração, é verdade. Mas têm-se procurado as melhores práticas, elas existem e estão definidas. E essas práticas levam a um bom resultado ambiental, seguramente.

"Os lagos que aqui existem e muita da floresta e bosquetes que aqui observamos foram, de facto, fruto da exploração da areia e da reabilitação que foi feita, da recuperação paisagística a que estes areeiros foram sujeitos. "

"Um amante da natureza gosta de estar fora, portanto, dar aulas era impensável, e trabalhar com recursos minerais tem de ser no campo, tem de ser feito fora de portas, então, essa preferência acabou por ocorrer de forma natural."
5. Em que ano e onde ingressou no curso de Geologia? Como reagiu a família?
Deram pulos de alegria, na altura, até fizemos uma festa… recordo-me, foi uma festa familiar. (risos) Não, não foi nada disso! Foi em 1992 que ingressei no curso de Geologia, na Universidade de Lisboa. Não foi a minha primeira opção, Geologia não era a minha primeira opção. A minha primeira opção foi Biologia. "Ciências da natureza" é o que eu gosto, é o que sempre gostei, a biologia e a Geologia eram, de facto, aquilo que eu queria. Mas tinha de colocar uma em primeira opção, foi difícil… Ainda bem que nem entrei para biologia e fui para a segunda opção. Até porque a biologia poderia fazê-la de outra forma. E faço. Sou um amante da natureza, gosto imenso da natureza, e no trabalho que desenvolvemos uma das componentes é a biologia e faço esse acompanhamento também! Mas ainda bem que tudo aconteceu como aconteceu, porque gosto imenso da Geologia.
6. E quando é que percebeu que "Ainda bem"?
Foi praticamente logo. Nem nunca pensei, quando entrei em Geologia, "Bem, para o ano vou mudar para biologia". Não, nunca pensei nisso, porque as duas coisas eram para mim simultâneas. Talvez se existisse por cá um curso de "Biologia e Geologia", se calhar até teria sido essa a opção, eventualmente. Com o devido respeito para todos os professores, nunca pensei ir dar aulas de ciências. Cada um tem a sua função, claramente, e o meu objetivo sempre foi tirar um curso e fazer uma carreira um bocadinho diferente da docência. Na questão da Geologia, a vertente dos recursos minerais também apareceu quase desde o início, sempre foi uma área de que gostei, muito graças às matérias que foram dadas. Eu diria que, talvez logo no primeiro ano, essa abordagem tenha aparecido. Um amante da natureza gosta de estar fora, portanto, dar aulas era impensável, e trabalhar com recursos minerais tem de ser no campo, tem de ser feito fora de portas, então, essa preferência acabou por ocorrer de forma natural.

Em trabalho de campo em Angola, em 2004.
7. Qual foi a cadeira favorita e quem a lecionava?
Não é fácil. Há professores que me marcaram na vida, alguns são até dos menos amados pelos meus colegas. Mas posso dar alguma referência. Cristalografia era a cadeira mais odiada no curso. Ninguém gostava de cristalografia. (risos) E eu também não amei cristalografia, mas acabei por gostar, era interessante, mas não era fácil. Mas como a visualização espacial é uma faculdade que até tenho, consigo visualizar espacialmente as coisas, nunca me foi difícil olhar lá para aqueles bonequinhos e modelos e compreendê-los. A teórica era dada por um professor que se jubilou nesse ano, já com uma certa idade, mas que me marcou muito pela positiva, gostava imenso dele: o professor Ricardo Quadrado. Ele dava aulas de uma forma muito particular, era uma pessoa com uma inteligência extrema, o que depois nos dificultava imenso a vida. Eu lembro-me que na oral não respondi a uma única pergunta. Ele fez-me as perguntas e eu empanquei em tudo. A certa altura, ele disse "Então, é assim… [e explicava tudo] Você não está a ver?". E eu "Não, não estou a ver". (risos) É o problema que alguns professores têm, de não conseguir passar a mensagem aos alunos. Mas ele, de facto, era extraordinário, ensinou-me coisas que ficam para a vida e foi um professor marcante. A minha área preferida na faculdade, para além dos recursos minerais, era a geodinâmica e é a área que eu ainda hoje mais gosto. No fundo, conhecer todos os processos geológicos, a evolução do planeta Terra, é isso que mais me motiva, é disso que eu gosto nesta ciência – um planeta em movimento. Perceber como tudo funciona e como é que este planeta não é estático. E nós, estando aqui neste cenário, olhamos além para a Serra da Arrábida, olhamos aqui para o sinclinal – olhamos não, a gente nem o vê – de Albufeira. Mas, onde é que ele está? Em lado nenhum o vemos, só mesmo quando nos aproximamos da Serra da Arrábida é que começamos a ver as camadas um bocadinho inclinadas, e depois em Almada, na colina de Almada, onde vemos os estratos um bocadinho inclinados. Olhando para as areias, é de todo impossível imaginá-lo, estão subhorizontais nesta planície toda. Gosto de imaginar como seria, há um tempinho atrás, toda esta paisagem, toda esta planície aluvial. O Sado e o Tejo, um delta, se calhar gigantesco, a serra, que provavelmente terá sido uma ilha no meio disto tudo. É engraçado pensar nisto e depois olharmos para todos os relevos alpinos aqui no nosso país, principalmente na Bacia Lusitânica, a Serra da Arrábida, Montejunto e depois o Maciço Calcário Estremenho. Tudo isto nos faz pensar na geodinâmica.
8. Quando era estudante universitário, foi um aluno médio, bom ou muito bom?
Eu diria que, se calhar, fui médio. (risos) Eu não era assim muito de estudar, era porque tinha de ser. (risos) Havia ali cadeiras que, com alguma facilidade, eu até as fazia, não vou dizer que era inteligente ao ponto de nem precisar de estudar, não era isso. Mas havia outras, epá, que estudava, estudava, e aquilo não resultava. Eu acho que era um aluno médio.
9. E era calado ou participativo?
Era relativamente calado, quer dizer, não era assim muito efusivo. Ainda hoje sou assim, um bocadinho reservado.

"Aqui temos um exemplo prático onde conseguimos ver o resultado das duas coisas, uma exploração e uma reabilitação. Não basta contemplar estas questões no papel e não basta contemplar na legislação, porque depois, na prática, de facto, os exemplos que temos para dar não são assim tantos"
10. E envolvia-se em atividades extracurriculares?
Em termos de associativismo, não. Mas em saídas de campo com colegas, sim, isso fazia. Todas as saídas de campo que havia, a gente tentava estar envolvido. Até porque a Geologia é um bocadinho isto, queremos sempre estar mais tempo no campo. Não era fácil, e acredito que hoje também não seja fácil, tínhamos apenas três cadeiras de campo: campo I, campo II e campo III. Agora não sei como é, mas eram difíceis de fazer. A título de curiosidade, o meu professor de campo I é um dos sócios fundadores da VISA Consultores, o Vítor Correia. Mas entrei na VISA por outras razões, foi através do professor António Mateus. Na altura, a VISA estava a fazer um trabalho para o qual havia necessidade de contratar geólogos e contactou o professor, "Há por aí alguém?", e o professor lembrou-se de mim, e ainda bem! É um dos tais professores que achou que eu, se calhar, era um aluno brilhante. (risos) Para me ter recomendado… Não faço ideia, mas pronto, agradeci, e ainda hoje mantenho uma relação muito boa com o António e também já fiz trabalho para ele. Na altura ele tinha uns projetos que acompanhei, ainda estava a acabar o curso. Havia uma ligação do Departamento de Geologia e também do pessoal de geofísica, foi até com esses projetos que aprendi a trabalhar com o AutoCAD – hoje é uma ferramenta que é muito utilizada. Eu aprendi AutoCAD na faculdade, fruto desse projeto. Era um projeto de cartografia geológica, na área da Vilariça, e era preciso digitalizar mapas. Ou seja, o professor António Mateus e a equipa fizeram a cartografia e depois eu digitalizei esses mapas todos em AutoCAD, porque ninguém sabia fazer isso e, portanto, lá arranjaram um estagiário! (risos) E eu não sabia trabalhar em AutoCAD. Na altura, quem me ensinou a trabalhar em AutoCAD foi um professor de geofísica, o professor Fernando Santos, com uma mesa de digitalização, uma mesa assim quadrada, uma coisa rudimentar. Hoje já não se usa nada disso, como é óbvio. Mas eu utilizei muito essa mesa, colocava-se o mapa, georreferenciava-se o mapa e depois era traçar as linhas todas, ir picando no AutoCAD. Eu aprendi a trabalhar em ambiente DOS, não em ambiente Windows, o que é uma vantagem muito grande: muitos dos comandos ainda os faço à mão! É a herança disso.

11. Naquilo que é a sua vida profissional, qual é a atividade que mais prazer lhe dá?
O mais agradável são as visitas de campo, é o poder estar no campo e acompanhar os trabalhos. Portanto, o que eu mais gosto de fazer na VISA, de facto, são os acompanhamentos. Temos um serviço na VISA que é o acompanhamento técnico, deslocamo-nos ao terreno, estamos com as empresas, como é o caso aqui desta. Estamos cá com eles, falamos com eles diretamente, damos as nossas recomendações para aquilo que são as boas práticas, para aquilo que é o cumprimento das regras e da legislação que temos em vigor, que não é assim tão pouca, é até bastante. Não basta só pensarmos na legislação que existe para a indústria extrativa propriamente dita, a lei de pedreiras e a lei de minas. Há depois um conjunto de leis que são transversais a todos os setores: a lei do trabalho, segurança e saúde no trabalho, as leis que existem do ambiente, que são muitas, mesmo. É esse o acompanhamento que nós fazemos e esse é, se calhar, o mais gratificante no nosso trabalho, que é podermos transmitir às empresas "Devem fazer desta forma". Não é fácil, depois, que eles façam dessa forma. A gente recomenda e eles podem dizer "Pois, muito bem, ok, vamos continuar, segue em frente" e não dar. Da próxima vez, volto cá e digo "Mas tínhamos dito, da outra vez, para fazer isto", e às tantas, lá vamos conseguindo que eles façam. Eles vão evoluindo e vão fazendo. Eu tenho notado que, de facto, existe essa evolução nos últimos anos, há mais aceitação, eles reconhecem também um bocadinho o nosso trabalho, e nós somos reconhecidos no mercado de trabalho por essa valência. Quando se fala na VISA, é já uma referência, fruto um bocadinho, também, desse trabalho que nós desenvolvemos muito próximo das pessoas. Nós estamos mesmo com eles. As empresas são os nossos clientes, é certo que é o nosso ganha-pão, mas não basta só fazer o serviço, a proximidade gera confiança e isso facilita a comunicação. É gratificante sabermos que o nosso trabalho depois acaba por ser feito. E isto (esbracejando para a área em redor) é um exemplo extraordinário, não é só nosso, foi um conjunto de circunstâncias que se conciliaram e toda uma equipa, incluindo as pessoas que gerem a própria propriedade, que proporcionaram a existência do Sesimbra Natura Park.

"E isto é um exemplo extraordinário, não é só nosso, foi um conjunto de circunstâncias que se conciliaram e toda uma equipa, incluindo as pessoas que gerem a própria propriedade, que proporcionaram a existência do Sesimbra Natura Park"
12. E qual é a atividade que menos prazer lhe dá?
É o trabalho administrativo. A clássica burocracia é, de facto, o mais pesado. Na VISA temos muito disso e tem até, no seu arquivo histórico, alguns documentos oficiais, cartas emitidas pelas entidades licenciadoras. Porquê? Agora já não é assim, obviamente, mas antigamente, as empresas familiares e sem quadros técnicos, cada vez que recebiam uma carta de uma entidade, nem sequer liam aquilo, "Isto é o quê? Isto serve para quê? E o que é que é isto?", pegavam no documento e entregavam-no a nós! Se a gente for aos dossiers mais antigos, encontramos até licenças de explorações de pedreiras, que é um documento oficial. Hoje já não é assim, cada empresa tem o seu registo, tem os seus dossiers, além de que cada vez mais as coisas são em formato digital, vamos tendo menos papel. Nós agora fazemos o trabalho completo para obter uma licença de exploração, eles não têm de fazer absolutamente nada, nós tratamos de tudo, fazemos o documento técnico, que é o plano de pedreira ou o plano de lavra, e depois há um conjunto de documentos administrativos, a instrução, um requerimento, uma planta cadastral, um documento que é necessário assinar – nós preenchemos isso tudo. Toda essa parte administrativa, somos nós que compilamos e depois enviamos o documento final para eles assinarem. E esse é o trabalho menos gratificante, mas ainda assim, obviamente, temos de o fazer, sem problema nenhum.
13. Há algum geólogo, contemporâneo ou não, que admire muito?
Epá, admiração particular por geólogos, é difícil, não tenho… Não tenho assim ninguém em particular em mente. Há vários professores que me marcaram ao longo do meu percurso, isso é verdade, colegas que não são do meu ano de curso, uns mais velhos e outros mais novos, com quem mantenho relação profissional e por quem tenho algum apreço. Se tivesse de eleger alguém mais completo, em termos de Geologia e daquilo que é a Geologia, seria o professor [António] Galopim de Carvalho, por todo o trabalho que desenvolveu, é uma vida inteira dedicada à Geologia. Foi meu professor de sedimentologia. As aulas eram um bocadinho enfadonhas, confesso. (risos) Mas, de facto, naquilo que foi a promoção da Geologia e dos dinossáurios, é extraordinário. Estive com ele há bem pouco tempo, na Serra de Aire e Candeeiros, ele já com 93 anos, mas lá estava, na audiência, sentadinho, à espera da vez dele. Foi convidado a falar e gostei imenso de o ouvir. É, de facto, extraordinário poder ouvi-lo e como uma pessoa com aquela idade ainda mantém toda aquela vivacidade, impecável em termos de lucidez, fez um discurso completamente lúcido.
14. Qual é a sua publicação favorita na área das geociências?
(hesitação) Epá, mais uma difícil. (risos) Não é fácil. O elemento que eu consulto mais é a carta geológica. Está sempre presente. A [carta à escala] 1:50 000 é, se calhar, a publicação a que nós mais acedemos. Todos os trabalhos de caracterização geológica que fazemos têm por base essa cartografia, é sempre um princípio. É uma cartografia que, é o que é, tem o sei propósito, mas para a indústria extrativa é muito insuficiente, não dá. Mas é a primeira aproximação. E sim, é talvez a publicação a que eu acedo com mais frequência. Todos os documentos que escrevemos onde haja Geologia têm uma carta geológica por base, sempre. Depois, a partir daí, tentamos pormenorizar a área concreta em que estamos a trabalhar. E as áreas que trabalhamos, na escala 1:50.000, não são apenas um ponto, mas quase! São áreas relativamente pequenas e, portanto, normalmente estão sempre numa mesma unidade geológica, a nadar nessa unidade. Às vezes aparece uma ou outra formação, que nos dá vontade de poder explicar um bocadinho mais mas, verdadeiramente, o trabalho que fazemos é um trabalho de pormenor. Dando como exemplo aqui esta área de Sesimbra: na carta geológica estão cartografadas apenas duas formações, a do Pliocénico e a do Quaternário. Mas nós sabemos que, na primeira, se distinguem duas unidades litológicas diferentes, as areias e as argilas, que fazem parte da mesma formação geológica. Eu aqui, a uma escala de pormenor, consigo cartografá-las. Nesta área conseguiria cartografar as areias, as argilas e os depósitos do Quaternário.

Junto à famigerada sondagem, na Arábia Saudita, em 2006.
15. Qual foi o evento ou momento mais marcante na sua carreira?
Há um conjunto de eventos, tive vários marcantes, positivos e negativos. Fiz vários trabalhos fora de Portugal, visitei vários sítios, alguns hoje proibitivos em termos de visita, países onde hoje andam todos à trolha, Síria e por aí fora. Estive lá antes da guerra. Esses projetos correram relativamente bem. Vou partilhar convosco um episódio engraçado na Arábia Saudita. Éramos dois ou três elementos, era um trabalho que fomos fazer para uma empresa local, fui com uma pessoa que não estava familiarizada com aquilo que é a georreferenciação e GPS e fiz um brilharete: levei um GPS de mão, que hoje toda a gente tem, agora até os telemóveis têm. (risos) Fui preparado. Fui fazer uma due dilligence, verificar um projeto que já estava em operação, já tinha tido a fase de prospeção, com sondagens e tudo, e tinham-me dado a localização das sondagens. Eu marquei aquilo tudo no GPS, já tinha os logs, já tinha tudo. Quando chegámos ao local, aquilo era uma paisagem de facto extraordinária, uma planície direitinha, no deserto, completamente inóspito, sem nada. Era uma planície a perder de vista, uma plataforma carbonatada, não havia dunas, neste caso, mas era em pleno deserto. Chegámos lá, com o acompanhante local lá do sítio, "A área é esta aqui assim", mas ele também não sabia mais nada. E a gente olhava e não se via nada. E eu, "Vamos fazer aqui uma coisa, vamos lá tentar aqui posicionarmo-nos", fui ao GPS, procurei a primeira sondagem. Lá fomos no jipe, fui dando indicação ao senhor que estava a conduzir, aquilo foi ir sempre a direito, chegámos a uma das sondagens e, felizmente – nem sempre é assim, porque às vezes faz-se a sondagem, tapa-se o buraco e não fica lá nada –, aquela lá tinha um pauzinho, um tubinho, e chegámos ao tubo. No meio do deserto encontrámos essa agulha e eles ficaram, de facto, pasmados, a pensar, "Este gajo só pode ser um génio", qualquer coisa assim. Esse foi um momento engraçado. E lá confirmámos as sondagens – como era uma due dilligence tem de se verificar que as coisas existem –, e depois pudemos ir ao armazém e encontrá-las. É uma das melhores áreas para se ver Geologia, não tem vegetação, não tem nada, os afloramentos estão todos à vista! A ida aos Emirados [Árabes Unidos] também foi um momento interessante. Nos Emirados é tudo megalómano e, portanto, fazer Geologia nos Emirados é andar num BMW a fazer trabalho de campo. É um sacrifício, pronto, são coisas que às vezes acontecem. (risos) E ter de ficar instalado num hotel "5 estrelas", é chato, com piscina e tudo, são momentos que pronto, nos custam, viajar, ter de fazer uma mala, são coisas assim chatas... (risos) Mas já tive coisas bem piores. Já estive em situações em Angola, no Gana, no Brasil, bem mais difíceis.

Em trabalho no Gana, em 2010.
16. E entre esses, algum particularmente difícil ou embaraçoso?
Tive um momento embaraçoso no Gana, um momento até bastante embaraçoso em plena floresta tropical. Aquilo é vegetação por todo o lado, local da mamba-negra [cobra extremamente venenosa], que é muito simpática, a gente pode fazer festinhas, é muito agradável circular por ali… Sempre com os locais, eles lá com as catanas para poder abrir o mato, e nós sempre atrás deles. Era um trabalho de prospeção de ouro aluvial. Nós selecionámos, em gabinete, um conjunto de pontos de amostragem, para eles prepararem tudo, os acessos, os pits todos, para nós podermos fazer a colheita das amostras. E era esse trabalho que já estávamos a fazer, andar a saltar de ponto em ponto para fazer a amostragem, quando num dos pontos tivemos um contacto com um habitante local, o qual começou desta forma, muito simples: em todos os pits havia uma escada que colocávamos para podermos descer; a escada estava encostada a uma árvore e chegou esse habitante local com uma catana e a primeira coisa que fez foi logo partir a escada. Logo, só para começar, só para dizer um bom dia, só para cumprimentar as pessoas, e eu "Pronto, já estamos mal. Se o gajo começa aí à catanada, temos um problema!" (risos) Mas ele estava só a manifestar a sua insatisfação pelo facto de não lhe terem pedido autorização para entrar no local, que é um erro estratégico, de facto. Eles contactaram toda a gente, mas ali correu mal, porque a propriedade era enorme, e, portanto, falharam. É um erro que nunca podemos cometer e podia ter sido mau, não é, se tem escolhido um de nós em vez da escada, era diferente. Depois, entretanto, lá fomos falando com o senhor, tentando acalmá-lo, obviamente ele teve de ser compensado porque acho que depois até lhe destruíram uma bananeira, a qual teve de ser paga. E é curioso, porque no Gana ainda existe muito aquele efeito tribal. Nós estávamos a trabalhar numa área que era atravessada por um rio, mas o rio não pode ser atravessado de qualquer maneira, a gente não pega no barco e atravessa. Só podemos atravessar livremente durante o dia, se quisermos atravessar antes do sol nascer temos de pedir autorização ao soba local, e tem de se pagar um tributo para se fazer essa travessia, uma portagem! E há um local onde se paga esse tributo. Eles levaram-me até esse local, tem lá uma pedrinha onde se faz o sacrifício, mesmo, isto é real! Não assisti a nenhum sacrifício, mas eles levaram-me lá só para explicar. Normalmente sacrificam-se galinhas e cordeiros, é sacrifício animal. Mas é engraçado que ainda existe este tipo de coisas.

Num dos pits de amostragem no Gana (este, ainda com escada ;) ), em 2010.
17. Via-se a fazer outra coisa na área das geociências? Ou fora dela?
Não sei, eventualmente. Tinha de ser algo na área da geodinâmica, talvez numa vertente mais académica. A fazer qualquer coisa fora da Geologia? Isso, claramente! Com o Euromilhões isso era garantido. (risos) Gosto de viajar.

18. Tem algum hobby ou talento extra Geologia?
Tenho um hobby. Não sei se é talento ou não. Quem assiste poderá ver se é talento ou não. Eu toco guitarra e estou numa orquestra de guitarras. O Pinhal Novo, onde vivo, tem uma orquestra de guitarras – de guitarra clássica! São quase 100 músicos a tocar. É a Orquestra Nova de Guitarras. Recomendo que acompanhem, não é por eu lá estar, não é isso que faz a diferença. Eu sou um mero músico. Gosto imenso de música, e tocar um instrumento sempre foi uma coisa que eu gostava de aprender. Só aprendi mais tarde, porque em miúdo não tive possibilidade de ter aulas de música – não dava, não sobrava dinheiro. Gosto mesmo de música. E ter uma banda era no tempo em que éramos miúdos, em que achávamos que se formava uma banda de qualquer maneira, mas depois aquilo passa facilmente, porque acabamos por não conseguir fazer nada. E aprendi música já tarde, em escola, e tenho aulas. Aliás, hoje tenho aulas, ao final do dia. E, portanto, mantenho as aulas e depois acabei por ingressar na orquestra. Descobri a escola numa feira no Pinhal Novo, eles tinham lá a bancazinha e acabei por me inscrever. Fui tendo as aulas, aprendi música e hoje sei música. É uma linguagem que sei, consigo ler partituras e consigo tocar o instrumento: a guitarra. É o único instrumento que toco, mas não sou nenhum guitarrista, como é óbvio! Nem de perto nem de longe, isso não.

Atuação da Orquestra Nova de Guitarras do Pinhal Novo (João Meira assinalado à esquerda).
19. Qual foi o local mais bonito que já viu por causa da Geologia?
Há vários locais. Não é Sesimbra, gosto imenso desta zona, mas não é Sesimbra. Não é fácil escolher! Estou indeciso entre dois. Há um nos Emirados, porque vi um ofiolito. Ou seja, areias de dunas por todo o lado e depois o maciço antigo, a crosta oceânica numa zona de serra, com uma vista, de facto, extraordinária. Um ofiolito, a gente não tropeça neles todos os dias, é interessante nesse aspeto, não é tanto estético, é a questão geológica. Mas o outro local, em Angola, vale pela paisagem: a Serra da Leba é de cortar a respiração, é uma vista brutal, uma serra imensa. Entre esses dois, não é fácil.

Capa do livro "A vida é bela: o Xisto de Burgess e a natureza da história" de Stephen Jay Gould (Gradiva, 1995), com revisão científica de Carlos Marques da Silva (um dos membros da equipa do APG 365).
20. Se pudesse viajar no tempo geológico e assistir a um evento qualquer, em segurança, qual seria?
Não é fácil, também! Vocês fazem perguntas muita difíceis, fogo. Talvez gostasse de estar na Serra da Arrábida numa perspetiva diferente. Hoje eu vejo a serra, há as pedreiras de calcário, que também acompanho há bastante tempo, quer as de britas, quer a da SECIL, na cimenteira. Talvez gostasse de acompanhar a evolução geológica desta região. Mas provavelmente algo mais antigo. Já visitei as trilobites gigantes de Arouca, é um local que gosto imenso, e, nessa linha, gostava de visitar Burgess, os xistos de Burgess que são do Câmbrico. Há um livro do qual gostei bastante [A Vida é Bela (Wonderful Life: The Burgess Shale and the Nature of History), de Stephen Jay Gould, 1989], pela forma como está escrito, que retrata a profusão que seria esse mar do Câmbrico, com as trilobites a andar por ali. Gostava de ir ver como eram os mares dessa altura, se era de facto como está descrito.

Intraclasto
A Pedra Parideira Filosofal

Como intraclasto, o João trouxe-nos uma herança familiar, fruto de alquimia turística de uma tia que adorava excursões. A tia, que já não está entre nós - o que, neste caso, é juridicamente conveniente - fez uma excursão a Arouca na década de 1990, visitou as pedras parideiras, ouviu falar da sua formação e decidiu que um pequeno nódulo de biotite seria a lembrança ideal para o sobrinho "que anda a estudar pedras". O João recebeu a peça com a solenidade possível, mas (ainda) não fazia a menor ideia do que era. "Ela explicou-me o que ouviu lá. Eu limitei-me a acenar com ar científico." Anos depois, visitou o local já com outro conhecimento e com todo outro enquadramento geopatrimonial. Ficou até hoje como orfanato oficial daquela pedra parida e todos nós, geólogos, acabamos por ter uma amostra assim, a nossa pedra filosofal. Mas recordando que as "Pedras Parideiras" são, desde 2022, classificadas como Monumento Natural Local, o João rematou a história dizendo:
"Tudo antes! E não fui eu! Não fui eu que tirei, foi a minha tia! (risos) E já nem está cá, já nem se pode cobrar! (risos)"
Uma homenagem a todos os familiares que, perante um geólogo, sentem o impulso irresistível de trazer um souvenir "para aquele que estuda calhaus".
Geomanias
Rocha preferida? Migmatito
Mineral preferido? Calcite
Fóssil preferido? Amonite
Unidade litostratigráfica preferida? Diatomitos de Rio Maior
Recursos minerais metálicos ou não metálicos? Metálicos, claramente
Era, Período, Época ou Idade preferido? Carbónico
Pedra mole ou pedra dura? Eu trabalho muito em pedra mole, mas gosto mais de rocha dura!
Afloramento ou corte favorito? O corte que começa na Praia da Figueirinha e termina na colina de Almada.
Trabalho de campo ou de gabinete? Campo, seguramente
Diáclase ou diaclase? Diaclase.
